Sem categoria // 07 dez 2017

Retrospectiva DC: Corridas femininas ficam mais caras, vazias e sem grandes novidades

Autor Imagem Por Giselli Souza

Os anos passam e as corridas femininas que antes explodiam de gente têm ficado cada vez mais vazias. Com exceção da corrida da Mulher Maravilha em 2017, todas as outras provas femininas que eu estive presente neste ano tiveram um público bem menor que os anos anteriores.

Com inscrições mais caras e kits nem tão cheios de brindes e mimos assim, o que eu mais escutei das amigas e divas do nosso pelotão neste ano foi que a “corrida de rua não é mais como era antigamente”.

E não é mesmo. Depois da popularização das corridas femininas em meados dos anos de 2010 e 2012, as provas deram uma esvaziada e mesmo os circuitos que costumavam atrair atletas de outros Estados também diminuíram a quantidade de participantes.

Circuito Vênus bem mais vazio que nos anos anteriores. Foto: Edson Lopes Jr./Divas que Correm

Circuito Vênus bem mais vazio que nos anos anteriores. Foto: Edson Lopes Jr./Divas que Correm

Provas tradicionais como o Circuito Lótus, em São Paulo, uma das primeiras provas femininas que eu corri, sequer foi realizada neste ano, e mesmo a W21K, a primeira meia maratona feminina, teve a sua terceira edição bem mais vazia que as outras duas anteriores.

Na minha opinião não foi somente uma questão de preço, mas de formato também que enjoou o público. Quem apostou em percursos e formatos diferentes, como foi o caso da Rainha da Montanha e da corrida Mulher Maravilha, ganhou o público.

Em São Paulo, o kit da Corrida da Mulher Maravilha era disputado a preço de ouro e no mercado “negro” era negociado por até R$ 500!!! Digo isso porque recebi mensagens inbox de maridos desesperados atrás de kits para as esposas enlouquecidas que queriam participar da prova de qualquer jeito.

Fiquei pensando no pq de tanto desespero assim pela Mulher Maravilha. Por que será que ela atraiu tanta gente para a corrida dela, enquanto todas as outras, que só falaram do frufru, do make e das comidinhas saudáveis permaneceram vazias.

E aí me veio a resposta…

A mulher maravilha é a personificação da diva da vida real. É a mulher que nós somos todos os dias quando lidamos com as nossas dificuldades pessoais e profissionais. É aquela que luta contra a opressão da sociedade machista e segue em frente apesar de todas as adversidades.

No esporte, a gente mudou muito também. Não corremos para emagrecer nem fazemos dietas de capas de revistas com shakes mágicos para contar gomos. Queremos ficar mais fortes, mais leve, mais bonitas para nós mesmas e para darmos o nosso melhor no esporte que amamos.

A Corrida Mulher Maravilha mostrou que ao aliar uma personagem feminista a corrida de rua as atletas compram mais do que a prova, elas aderem a CAUSA! Foto: Edson Lopes Jr./DC

A Corrida Mulher Maravilha mostrou que ao aliar uma personagem feminista a corrida de rua as atletas compram mais do que a prova, elas aderem a CAUSA! Foto: Edson Lopes Jr./DC

Estamos com muito mais fome de kms que antes. Se antigamente parecia totalmente loucura pensar em uma maratona exclusivamente feminina, hoje eu já não acho totalmente fora de cogitação. Ok pensar que você não vai ter um público de uma prova de 10k, óbvio, mas que tal fazer uma experiência diferente e criar uma prova totalmente diferente de tudo que a mulherada já viu?

Mesmo as provas de 5km e 10km… Esqueça aqueles mesmos kits, mesmos percursos, mesmos brindes, mesmos Day Cares, mimos com maquiagens e meninos tirando fotos com a gente. As atletas de hoje não são as mesmas de 2005, quando eu comecei a correr. A  mulherada de hoje briga pelo pódio forte, corre com a faca nos dentes ou mesmo aquelas que estão começando, são igualmente empoderadas que as brutas e não tem vergonha alguma de juntar as amigas e sair pra caminhar lindamente nos 3km, empoderadíssimas e com um look incrível!

Eu acho que tá faltando mais ação criativa por parte dos organizadores no Brasil. E isso não tem a ver exatamente com inscrições mais caras nem c0m provas gigantes, para um milhão de pessoas. Mas algo que tenha realmente mais a ver com as atletas de hoje. Que não querem só saber de frufru, comida saudável e batom, mas de tudo isso e mais um monte de outras coisas também.

É fato: estamos mais fortes, mais divas e mais maravilhosas. Espero que as provas em 2018 estejam à nossa altura porque realmente pra fazer valer a pena a nossa inscrição e esforço, não é qualquer prova mesmo que a gente vai aceitar.

Escreva nos comentários o que você achou das provas deste ano e também quais são as suas expectativas para 2018.

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9 COMENTÁRIOS

    adriana disse:

    Perfeito!

    Que tal um circuito para liberar a Diva que existe em cada uma de nós?

    Giselli Souza disse:

    Está nos nossos planos 🙂

    Simone Carapeticow disse:

    Olá boa noite !
    Eu já corro pelo menos uns quatro anos , no Ano passado foi o ano q mais participei de provas todo mês tinha 3 ou 4 provas no mês , este ano foram poucas uma delas foi minha Maratona em Floripa, prova difícil mas boa , acho q o mercado está enjoativo , todas as provas não mudam, mesmo kit , mesmo percurso e hoje em dia muito caro para pouca coisa a oferecer , sou a favor de treinos e descontrações em equipe ou a favor de mudar as provas , os percursos, a prova da Olga Kos do dia 03/12/17 mudou o percurso antes era duas voltas no mesmo lugar para completar 10 km, muito chato e desgastante para nós ,portanto a organização é top, uma prova barata …..e está se tornando tradicional porque cada vez mais tem milhões de participantes !!!!
    Bom obrigada por este espaço e falei um pouco da minha opinião !!
    Abraços
    Simone

    Patrick disse:

    Gi, esqueceu de mencionar a SP Pink Run. Faça uma pesquisa e veja os comentários no Facebook da Sportsfuse e vai ver o sucesso do evento, que teve todas as inscrições vendidas em 2 meses antes do evento, tendo parte das inscrições doada à Pense Rosa, ONG que ampara mulheres com câncer de mama, além do lindo kit com mais de 20 itens e diversas atrações na arena do evento.

    Giselli Souza disse:

    Citei algumas provas em que estive presente, mas realmente a SP Run é uma das provas bem elogiadas pelas meninas do DC SP.

    Jacque disse:

    Super divonico está reportagem, amei!!!

    Andrea Miele disse:

    Só achei a W21 vazia. Eu até gostaria que a WRun e a Vênus estivessem mais vazias. Para ter ideia, tive que “baixar” meu pace na inscrição para largar num pelotão que andasse menos na largada. Tudo bem que comecei a participar de provas de rua no final de 2014 e talvez não tenha os mesmos parâmetros de comparação de quem corre há 10 anos ou mais, mas ainda acho as corridas femininas muito lotadas e com muita paquitagem. Pode ter paquitagem, mas parar para fazer pose e tirar foto atrapalhando quem quer correr e fazer pelotão de desfile na frente de quem quer testar seus treinos numa prova, defininitavamente não é legal.

    Lygia disse:

    Melhor corrida foi a Rolling Stones! 2018 eh nela que eu vou!

    Elisama disse:

    Falou tudo!! Só arrepios ao ler esse post.

Comentários fechados.