Treinos e Provas // 07 jul 2015

Por que a rodagem é tão importante para a evolução na corrida

Autor Imagem Por Giselli Souza

Não adianta fazer 1001 aulas na academia, nadar, pedalar e se matar na musculação. Para melhorar na corrida, tem que correr. Pode parecer óbvio demais, mas muita gente se confunde e acha que outros esportes podem contribuir ou até mesmo suprir a rodagem. Mas a verdade é que só melhora na corrida, quem corre.

amigo secreto divas que correm

Segundo o meu técnico e também jornalista, Wanderlei de Oliveira, a matemática para a evolução na corrida é uma combinação de diversos fatores. No entanto, o mais importante deles, seja para quem busca começar a correr ou melhorar a performance é a rodagem. Pouco, devagar e constante.

Segundo ele, apesar de muita coisa ter sido criada e aperfeiçoada na corrida nos últimos anos, a essência está ligada ao treinamento diário “com volumes de treino em locais que favoreçam o aumento da taxa de hemoglobina (glóbulos vermelhos) responsável pelo transporte de oxigênio e consequentemente maior energia e desempenho nas provas de longa duração; além do treino técnico em pista de atletismo para aprimorar a resistência e a velocidade”.

Terminar uma maratona quebrada depois de ter feitos longos incríveis é tão ou mais frustrante do que não conseguir completar

Terminar uma maratona quebrada depois de ter feitos longos incríveis é tão ou mais frustrante do que não conseguir completar

Outro fator importante é o ritmo da rodagem. Exceto em treinos específicos de velocidade, como intervalados, tiros e tempo Run (quando você corre uma distância de até 5km em ritmo de prova), a rodagem é sempre diária e devagar. Por exemplo, se o seu pace de prova é 5:30/Km, a sugestão é que a sua rodagem seja entre 6:15/km e 6:30/km. “Mas não é muito devagar para quem sonha em correr a 4:30/km?”. Essa pergunta, que também já foi a minha, tem uma resposta, bem plausível por sinal.

Como tudo na vida, existe a hora e o momento certo para colocar o seu corpo no limite. Ao fazer isso no treino, você correrá o sério risco de chegar cansada no dia da prova ou, no longo prazo, ganhar uma lesão. Meu exemplo pessoal disso foi na Maratona de Santiago, no ano passado, quando fiz longos espetaculares e simplesmente quebrei na prova. Na gíria dos treinadores, virei um “leão de treino”. “Corre muito nos treinos, mas chega na competição e quebra”. Sabe aquela história de “queimar a largada”? Então, foi exatamente isso que aconteceu.

adidas (2)

Mais importante do que ter uma explosão na largada é aprender a correr no ritmo desconfortável (quando você fica ofegante, mas ainda assim consegue correr) e acelerar no final. A resistência, neste caso, é fundamental e a única maneira de adquiri-la é com a “tal da rodagem”. O pico do treinamento – quando você se sente realmente no seu auge – tem que ser na prova e não no treino.

Descanso, rodagem e dedicação quase que religiosa valem bem mais que mil aulas de academia, provas todos os finais de semana e treinos exaustivos.

Se quiserem conhecer mais sobre treinamento, o blog do Wanderlei é esse aqui.

Bons treinos!

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