Divas que inspiram // 17 abr 2017

Divas da vida real: Às vésperas da primeira maratona, ela descobriu uma lesão e não correu

Autor Imagem Por Giselli Souza

É uma decisão difícil e só quem passa por uma lesão sabe o tamanho da dor de descobrir que você está machucada na véspera de um grande desafio. Hoje, começamos aqui no Divas que Correm uma sessão “Divas da vida real” para vocês contarem um pouco a história de vocês, seja no início do esporte, como na superação de um momento difícil.

Essa é a história da Lígia Nascimento. No último longão, ela sentiu uma dor forte no tornozelo e 15 dias antes da Maratona de São Paulo decidiu preservar o corpo e não correr a prova. Hoje, vocês leem o relato emocionante dela, que serve de inspiração para todas nós que na ânsia de um desafio muitas vezes esquece que a nossa saúde deve vir em primeiro lugar – antes da medalha, recorde ou qualquer outro acessório.

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“Meu choro, revolta e sentimento de impotência durou exatamente 24 horas. Há dois dias da minha primeira maratona chegou a notícia mais triste que eu poderia receber relacionada ao esporte: diagnóstico de fratura por estresse no tornozelo, estiramento do ligamento e vários edemas. A ansiedade pela estreia na distância foi tanta que eu descuidei, sim, do treino de fortalecimento. A dor veio no último longo e eu não parei, segui até o 28km, duas semanas antes do grande dia. Como foi a primeira dor que tive em articulação, parei tudo e foi aquela correria de ortopedistas, exames e a famigerada ressonância.

O resultado veio na sexta-feira que antecedeu a prova. O kit já havia sido retirado e todas as fotos postadas no facebook. Óbvio que eu sabia que não seria possível correr 42km fraturada. Porém, precisei passar por três médicos no mesmo dia para tomar consciência do que estava acontecendo e tentar me conformar com a situação.

Não é fácil desistir de uma maratona que você treinou por cinco meses, correu longos e mais longos sozinha, acordou 5h30min da manhã para treinar aos domingos e vibrou com cada avanço. Sexta e sábado foram dias absurdamente tristes, porque eu só pensava nas dores musculares, nas privações relacionadas a esse tipo de treinamento e nos dias que corri sozinha na chuva e com medo de ser assaltada nas ruas de São Paulo.

Apesar de todas essas dificuldades, desistir da maratona foi o maior ato de amor próprio que eu pude ter comigo. Foi, sem dúvida, para mim, um ato de respeito com meu corpo e de muito amadurecimento.

Mesmo a dor sendo mínima, porque as lesões estão no início, não me senti confortável em correr essa distância lesionada apesar de toda a exposição que fiz com os treinos e com a felicidade que o avanço da distância me proporcionava.

Correr uma maratona fraturada, me renderia muitos meses parada. Talvez nem pudesse voltar a correr longas distâncias, minha paixão, porque cada organismo reage de uma forma e como eu poderia prever em qual estado eu cruzaria a linha de chegada, se é que meu tornozelo resistiria até lá. Não quero ser corredora de uma única maratona. Quero envelhecer nesse esporte, correndo nos limites que a vida vai me impondo.

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Refletindo sobre tudo isso, já no sábado à noite, decidi virar a página e ir domingo à prova que tanto sonhei para correr apenas 10km bem devagarinho, no limite que os médicos me autorizaram.

Não me senti nenhum pouco envergonhada de desistir de correr a distância que tanto me preparei. A maratona chegará e quero cruzar a linha de chegada como uma Diva (rs) e não sem os ligamentos do tornozelo ou com uma fratura completa do osso.

Por isso, no domingo fui à prova que me preparei por cinco meses, com outra cabeça, contente por ter sido autorizada a correr 10km e o fiz sem nenhuma dor. Corri feliz porque eu sabia como eu cruzaria a linha de chegada e correr segura é a melhor sensação que existe.

unnamed (1) (1)Para mim, não seria nada gratificante correr os 42km com medo, apreensiva por não saber como chegaria. Da mesma forma, não correria “cortando caminho” ou postando que o fiz sem ter atingido a distância. Viver de aparência não é nada compensador. Compensador será quando eu me reabilitar, recomeçar os treinos, seguir à risca o fortalecimento adequado e pegar a minha linda medalha, porque esta será conquistada com o dobro de sacrifício agora.”

Ligia Padovani Nascimento

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3 COMENTÁRIOS

    Andreia disse:

    História bastante emocianante e compartilho aqui as minhas últimas semanas: eu estou treinando pra minha primeira maratona do Rio em junho de 2017, a uns 30 dias atras senti a primeira dor na perna esquerda, tomei uns remédios por conta própria e passou. Uns 10 dias depois foi a perna direita, parei de correr, fiz massagem, tomei mais remédio e diz um longao de 22 kms! Depois disso a perna voltou a doer, porem foram as duas, sai mancando da esteira e fui ao médico! Resultado: tendinite! Fiquei 7 dias de repouso e voltei a correr, senti dor novamente e parei! Hoje fui ao ortopedista que cuidou de uma fratura por estressw há 2 anos atras, é tendinite mesmo! Não sei se foi excesso ou se foi falta de alongamento, sei que poderei correr, mas muita musculação e alongamento! Mas se for pra não correr a maratona e viver correndo, prefiro viver correndo, pois é isso que me faz feliz! E é isso que a gente tem que buscar, a felicidade no que estamos fazendo, seja ela correndo 5, 10, 21, 42 ou 100. O importante é sorrir! Lígia que vc seja feliz e com saúde!! E vamos correr!

    Amanda disse:

    Liiiii, lindo e emocionante o que você escreveu. Isso com certeza serviu de aprendizado para todas nós. Você comentou de ficar parada, a minha teimosia me rendeu 3 meses parada. Fez muito bem em se poupar agora para voar amanhã. Parabéns!!! Estou sempre na torcida. Beijão.

    Selma Azevedo disse:

    Que lindo Ligia, temos que saber respeitar os limites e sinais que nosso corpo nos manda… Certamente vc fara a sua Maratona com o corpo 100% e feliz da vida que eh isso que importa!!

Comentários fechados.