Treinos e Provas // 07 jun 2018

Aprendendo a conviver e a enfrentar lesões crônicas

Autor Imagem Por Giselli Souza

Assisti esses dias o documentário maravilhoso do Tim Don, recordista mundial na distância do Ironman (3,8km natação, 180km de bike e 42,195km de corrida), sobre a sua jornada de recuperação após o acidente de bike no mundial de Kona, no ano passado, onde fraturou uma vértebra do pescoço e precisou ficou três meses usando um halo de proteção para consolidar a fratura.

Documentário incrível do Tim Don

Documentário incrível do Tim Don: themanwiththehalo.com

Eu que já era fã do Tim Don fiquei ainda mais. O cara simplesmente saiu do céu de viver o melhor ano da sua vida no esporte para simplesmente ir ao inferno de se ver em uma cima de uma cama com um ferro medieval preso ao pescoço.

Meu início no triathlon fez parte das minhas jornadas de reabilitação

Meu início no triathlon fez parte das minhas jornadas de reabilitação

Ele poderia xingar aos montes, mas em vez disso, agradeceu ao fato de estar vivo (só pra vocês terem uma ideia, a lesão era praticamente se o cara tivesse sido enforcado) e, principalmente, andando. A probabilidade maior era, caso Tin Don sobrevivesse, ele teria ficado tetraplégico.

Assisti ao filme no feriado, enquanto assimilava as minhas próprias lesões. Trazendo a motivação do Tin Don para a minha humilde realidade, há anos lido com uma lesão crônica no tornozelo. Pela frouxidão ligamentar, acumulei entorses durante toda a minha jornada esportiva desde a infância e quando comecei na corrida de rua, a situação piorou.

No trabalho constante de prevenção, controle das dores e manutenção, na Pyhsio Institute, clínica de fisioterapia esportiva de São Paulo

No trabalho constante de prevenção, controle das dores e manutenção, na Pyhsio Institute, clínica de fisioterapia esportiva de São Paulo

Há três anos tive a primeira ruptura ligamentar total, que me custou dar adeus a maratona de Chicago, com a inscrição, passagem e hotel pagos. Desde então, tenho trabalhado intensamente na fisioterapia, no sentido de fortalecer e prevenir novas lesões.

Graças a isso, comecei no triathlon. Na tentativa de poupar o pé do impacto da corrida, passei a nadar e a pedalar com mais frequência e aí pensei, “poxa, por que não colocar em prática o sonho antigo do tri?”. Comprei a primeira bike e nunca mais parei.

Passado os três anos, me vejo novamente na sinuca. O volume de treinos no triathlon obviamente aumentou, perdi mais um ligamento, fiz outras duas maratonas, ou seja, desgastei ainda mais o que já estava desgastado.

ef06fcc3e9793147cd8eb2df3bb535e7

Aí chega a hora da decisão chata, dura e de “gente grande”: programar uma cirurgia ou continuar empurrando com a barriga?

A cada dia que passa tenho ido mais em direção da primeira opção, o que não é de todo infelizmente.

Aliás, o motivo desse meu post e o que tem a ver com o documentário “The man with the Halo”, é que em um certo momento do filme o Tim Don chega a conclusão que existem desafios maiores que uma linha de chegada e que vencê-los pode significar uma superação bem maior do que bater um recorde mundial.

Aceitar as limitações atuais e tirar o melhor proveito delas pode ser então a única saída. Para ele, mesmo preso em um halo, os treinos de musculação, assim como de ciclismo, mesmo que indoor, foram mantidos. “Vou fazer o meu melhor, dentro das minhas condições atuais”. Era essa a máxima dele e também a minha que eu sempre carreguei ao longo dos períodos mais críticos da minha lesão.

Porém, graças a ela, conheci o triathlon. Me dei a oportunidade de novamente competir em águas abertas. De pedalar na estrada, de me apaixonar pelo ciclismo e de hoje estar inscrita para o Ironman 70.3 Maceió daqui exatos dois meses.

Ou seja, se pensar bem, não foi de todo ruim o problema crônico com o meu pé.

É lógico que eu queria, como ainda quero, vibrar por um recorde na corrida novamente, conquistar o índice para a Maratona de Boston e, certamente, cruzar a linha de chegada do Ironman full em dois anos. Mas para tudo isso acontecer, precisarei dar alguns passos para trás, que incluem, me afastar por um tempo das corridas e fazer a cirurgia.

O que eu quero dizer a você, querida diva é que…

Não importa a distância, nem o seu pace ou meta. Se você possui uma lesão crônica, comece a trabalhar a visão que você tem sob ela de uma outra forma. Passe a enxergar possibilidades em vez de portas fechadas.

“No matter what challenge you have in life, its all about the perspective. His perspective is not that “I am stuck in thi halo”, it´s that “I´m luck to be alive, and I´m gonna use this opportunity to train smarter and harder that I ever have before. Because now it´s a new challenge, and athletes like Tim love challenges”.

“Não importa qual seja o desafio da sua vida, é tudo questão de perspectiva. E a perspectiva dele nunca foi “Eu estou preso neste halo”, mas sim “Eu tenho a sorte de estar vivo e vou usar essa oportunidade para treinar o mais forte  que eu já pude na minha vida. Porque agora é um novo desafio e atletas como Tim adoram desafios”.

Para quem quiser assistir ao documentário fantástico: themanwiththehalo.com (assista aqui)

Meu agradecimento especial a minha ortopedista esportiva Dra. Ana Paula Simões, especialista em pé e tornozelo, e a ao dr. Murilo Curtolo, meu fisioterapeuta esportivo, da clínica Physio Institute.

Conheça a loja Divas que Correm
Saiba como fazer parte do Divas que Correm
Treine com o pelotão Divas que Correm com as nossas assessorias parceiras

Veja mais!